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quinta-feira, 2 de março de 2017

Feminismo indígena: a luta das mulheres dentro e fora das aldeias


O povo indígena é uma minoria social e política e desde 1988 sofre um dos momentos mais violentos de sua história, principalmente pelos frequentes embates com madeireiros e ruralistas na Amazônia. Os dados são de um relatório recente da ONU:

“Para se ter uma ideia, em 2007 o número de índios assassinados chegou a 92. Em 2014, no entanto, esse número havia aumentado para 138. A maior parte das mortes foi registrada em Mato Grosso do Sul. O local é palco de conflitos em razão da disputas de terras, causadas pela lentidão do Governo em demarcar terras ancestrais pertencentes a povos indígenas.

Em decorrência disso, não é incomum que índios sejam despejados, expostos aos riscos de viverem acampados em beiras de estradas ou até mesmo mortos nesses conflitos”. Os índios Guarani-Kaiowá, por exemplo, estão 100% expostos à fome.

Em um relatório mais antigo da ONU, de 2013, o documento destacava como “em todo mundo, povos indígenas sofrem com a exclusão social, a pobreza e a migração, além da discriminação e da invisibilidade social. O estudo mostra que a violência contra as indígenas é intensificada pelo histórico de dominação colonial, exclusão política e econômica e a falta de serviços básicos. Enfrentam ainda negligência, exploração, tráfico humano, trabalho forçado e escravo”.

Além das diversas violências externas, incluindo estupros e exploração sexual, as mulheres e meninas indígenas enfrentam problemas dentro das próprias comunidades, como violência doméstica, e violências resultantes de hábitos externos introduzidos nas aldeias como o abuso do álcool.

“As indígenas reconhecem e denunciam inúmeras práticas discriminatórias que sofrem: casamentos forçados, violência doméstica, estupros, limitações de acesso à terra, limitações para organização e participação política e outras formas de dificuldade enfrentadas em consequência do patriarcalismo presente em suas comunidades. Embora esse seja um campo delicado de tratar, devido ao enfoque específico e multicultural que precisa ser dado, é necessário ouvir o que as organizações de mulheres indígenas estão reivindicando”, explica Mayara Melo em seu texto “Mulheres Indígenas – Opressão, Violência e Resistência”.

São questões que tornam necessário um olhar mais atento para as particularidades da cultura indígena, como um recorte dentro da Lei Maria da Penha para contemplar as diferentes necessidades das mulheres indígenas em relação ao abuso sexual, a proibição de bares dentro das aldeias entre outras ações tomadas de acordo com as especificidades desses grupos.

Fonte: Geledés

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