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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Muitos não se consideram vítimas de tráfico de pessoas, diz deputado


Brasília – O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), que presidiu a CPI do Tráfico de Pessoas da Câmara, afirmou nesta quarta-feira (2) que um dos principais problemas da identificação deste tipo de crime está no fato de que muitas pessoas não se reconhecerem como vítimas.

Segundo ele, “por muitas vezes, as vítimas recebem 10% dos ganhos com seu próprio corpo e se dão por satisfeitas”.

Na visão do parlamentar, os ganhos financeiros vindos da exploração – ainda que pequenos na maioria das vezes – são suficientes para resignar quem sofre este tipo de violência, situando as questões em um horizonte muito cinzento.

“Estão envolvidas adoções, propostas irrecusáveis de empregos, contratos esportivos para atuação no exterior. É uma combinação de muitos fatores que atrapalha investigações”, lamentou Arnaldo.

As declarações aconteceram na segunda etapa da audiência pública sobre Tráfico de Pessoas e de Órgãos, realizada pela OAB Nacional.

Também nesta fase do evento, a representante do Chame (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), Jaqueline Leite, destacou que outro fator que freia o combate é a falta de alinhamento conceitual quanto ao tráfico de pessoas que existe entre as autoridades que cuidam do tema, cenário que, segundo ela, “é fortemente notado no Brasil e muito mais quando se envolve o relacionamento entre outras nações”.

O advogado e pesquisador Joelson Dias propôs uma visão crítica dos fatos e das políticas públicas adotadas no cerne do tema. “O desafio é criar um verdadeiro e eficiente sistema de combate ao tráfico de pessoas. Sermos menos discursivos e mais práticos. Não adianta ter ênfase somente na punição, porque é muito claro que a esfera preventiva carece de mais cuidados”, resumiu.

Ao final dos trabalhos, Everaldo Patriota classificou como positiva a audiência. “A OAB, a partir de hoje, fortalece seus subsídios para se posicionar com total firmeza sobre o tema. Foi o primeiro passo no sentido de produzir um amparado geral sobre esta mazela que, mesmo disfarçada, assola muitos cidadãos. Nunca houve tanto interesse acadêmico pelos direitos humanos, mas não nos enganemos: muito disso se dá pela crise mundial que esta área vive. É hora de agirmos”, disse. (DG)

Fonte: OAB - Conselho Federal

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