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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Presidente da OAB abre exposição de mestres entalhadores do Piauí

Diretoria e conselheiros na abertura da exposição

Brasília – O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, inaugurou nesta segunda-feira (21) a exposição “Mão do Homem, Mão de Deus: Mestres Entalhadores do Piauí”, uma mostra que traz esculturas em madeira de dez artistas piauienses.

Ao abrir a exposição, Marcus Vinicius destacou o papel central do Piauí na arte com madeira, sem o uso de cola, na qual o artista vale-se somente dos cortes. “É a chamada arte santeira, que retrata santos e divindades, tão presentes na cultura do nordestino, do sertanejo”, explicou.

O presidente disse que o objetivo é trazer à tona ‘brasilidades’ de um País que tem como dom fabricar cultura. “São 27 Estados, cada um com suas peculiaridades artísticas e culturais. O Brasil é rico em arte e em talentos, portanto o Conselho Federal da OAB firma esse compromisso de promover a cultura, que integra o rol de direitos fundamentais constitucionais”, apontou.

“O genial Michelangelo já dizia que a obra já nasce feita, cabendo ao homem apenas retirar os excessos”, disse Marcus Vinicius. Quem visita a exposição ganha uma material explicativo sobre o trabalho dos artistas, bem como uma síntese da arte piauiense. O texto de apresentação é de autoria do próprio presidente da OAB e a curadoria é de Márcio Teixeira.

Veja, abaixo, o texto do folder da exposição:

APRESENTAÇÃO

Assim como o sopro da criação divina, que do barro fez o homem, as mãos dos mestres entalhadores do Piauí também criam e recriam vidas, histórias e profissões de fé. A arte de dar vida à madeira documenta, com talento e poesia, a devoção do povo sertanejo e sua labuta cotidiana. (...)

É pelas lentes da arte que enxergamos o mundo, desprovido do fetiche e das máscaras ideológicas. A sensibilidade do artista para perceber as dores e os sabores da vida é a mesma que deve guiar o jurista no seu labor diário de luta pela liberdade e dignidade humana.

Marcus Vinicius Furtado Coêlho, Presidente Nacional da OAB



MÃO DO HOMEM, MÃO DE DEUS: MESTRES ENTALHADORES DO PIAUÍ

A arte feita com as mãos em nome da imaginação, herdeira de séculos de transmissão de um saber ancestral: o do manejo das ferramentas para a transformação da madeira em imagem poética. Esta é a marca dos objetos que se apresentam nesta mostra, concretizados pela habilidade, pela fé e pela observação das coisas do mundo.

Os mestres santeiros do Piauí – Dezinho, Expedito, Ageu e seus seguidores – trazem as formas que emulam o eco daquele outro mestre, da Minas Gerais colonial, para nós emblemático de uma subversão ao cânone estético europeu: o Aleijadinho que frequenta o imaginário de todo brasileiro. Há algo que vem de um entendimento do mundo como cruzamento de fronteiras culturais, étnicas e ideológicas. (...)

Bem vindos ao reino da madeira transformada.

Profª Marília Panitz

VISITAÇÃO

21 de setembro a 20 de novembro 2015

Segunda a Sexta, 10h às 17h

Quartas, 10h às 20h30

Entrada Franca

Conselho Federal da OAB

SAS Qd 05 Lt 1 Bl M. Térreo

INFORMAÇÕES: (61) 2193 9606

------------------------------- MESTRES ENTALHADORES DO PIAUÍ

Mestre Antônio Carlos

Antônio Carlos Pereira da Silva

Nascido em Parnaíba-Piauí, a 24 de junho de 1972, Antônio Carlos começou sua carreira aos vinte anos, depois de participar de um curso de formação profissional. É considerado um dos mais criativos e talentosos artesãos do Piauí. Participou de todas as edições da exposição Janeiro Arte, em Parnaíba-PI e dos 5° e 6° Salões de Arte Santeira (Parnaíba e Teresina, respectivamente), Exposição de Artes Plásticas na Universidade Federal do Piauí em Teresina-PI.

Mestre Araújo

José Joaquim de Araújo

Nascido em Domingos Mourão, em 03 de julho de 1952, Araújo esculpe e entalha originais e expressíveis imagens, que bem representam a arte santeira do Piauí. Em 1969 começou a criar suas primeiras imagens: uma Nossa Senhora de Fátima e um São Sebastião. Sua ligação familiar com Mestre Expedito, seu tio, fez com que Araújo optasse definitivamente pela arte santeira.

A arte de Araújo ultrapassou fronteiras. Esculpiu em Teresina, Fortaleza e Belo Horizonte, onde participou de várias exposições. Suas peças são encontradas no Centro de Artesanato Mestre Dezinho – PRODART, onde um grande número de visitantes as adquire. Raramente consegue guardar uma peça, pois, além dos trabalhos para a loja, recebe várias encomendas e, mesmo não sabendo para onde vão, acredita que já estejam espalhadas por todo o país.

Mestre Cornélio

José Cornélio de Abreu

Nascido em Campo Maior-Piauí, em 1955, Cornélio começou a trabalhar muito cedo, ajudando seu pai na marcenaria. Iniciou sua vida de santeiro ao lado do mestre Carlos B., esculpindo um Cristo de galho de cajueiro em tamanho natural, para a Igreja São João Evangelista, a “Igreja do Parque”, como é conhecida. (Parque Piauí) – Teresina-Piauí.

Sua persistência e capacidade criativa levaram-no à conquista de vários prêmios e a inúmeras participações em feiras e exposições. Foi premiado no Salão de Artesãos Piauienses (1974); I Salão de Janeiro (1976); II Salão Universitário de Arte Santeira (1981) e no VII Salão de Artes Plásticas do Piauí, todos em Teresina-Piauí (1981). Participou de mostras nacionais no Rio de Janeiro-RJ (1976), Teresina-PI (1976); Salvador-BA (1980 e 81); Brasília-DF (1987) e São Paulo (1987 e 88); Córdoba-Argentina (1995), Curitiba-PR e Pádova-Itália (1999).

Mestre Guilerme

José Gulerdúcio dos Santos

Nascido em Parnaíba-Piauí, a 02 de agosto de 1961, Guilherme, desde criança, observava atentamente peças artesanais e se imaginava executando suas próprias obras. Incentivado pelo Projeto Rondon, esculpiu sua primeira peça, um tatu, que ganhou o primeiro lugar na oportunidade.

Participou de várias exposições nacionais, suas obras foram expostas no V Salão de Arte Santeira, em Teresina-PI, Bienal, em São Paulo-SP; Shoppings do Rio de Janeiro-RJ; Park Shopping, em Brasília-DF; Feira do Móvel, em Fortaleza-CE, dentre outras, além de várias exposições em diversos estados brasileiros através do PRODART.

Mestre Juca Lima

Raimundo Sousa Lima Filho

Nascido em Parnaíba-Piauí em 04 de maio de 1965, Juca Lima aprendeu o ofício sozinho, apenas com o incentivo da família, que percebeu o talento e a genialidade do garoto que produzia seus próprios brinquedos.

Começou profissionalmente em 1983. Suas obras foram expostas na Casa do Piauí, na Universidade Federal do Piauí, em Parnaíba-PI (1997) e Clube dos Diários, em Teresina-PI no mesmo ano. Participou de todas as edições da exposição Janeiro Arte, em Parnaíba-PI, de 1994 a 1999, VI Salão de Arte Santeira, em Teresina-PI (1999);  exposição Arte Verão, em Parnaíba-PI (1996) e Exposição Arte da Casa da Cultura, em Teresina-PI (1987).

Mestre Júnior

Martinho Abreu Júnior

Nascido em Campo Maior-Piauí, a 10 de setembro de 1958, aos onze anos Júnior já era ferreiro, ofício ensinado pelo seu cunhado. Em 1974, morando em Teresina, recebeu orientação do seu irmão mais velho, Cornélio, um bom santeiro do Piauí.

Logo, Júnior ganhou asas próprias e começou a atender encomendas das lojas do Mercado central e da Central de Artesanato do Piauí. Suas peças têm bom acabamento e proporções quase perfeitas. Por isso a preferência de lojas especializadas do sul do País e de São Luís-MA, onde são muitas as encomendas.

Participou de várias feiras de arte, gincanas e mostras coletivas, destacando-se a I Gincana de Artes Plásticas, em Teresina-PI (1977); Feira de Artesanato do Centro Social Urbano, em Teresina-PI (1977 e 78); Mostra de Artistas Plásticos Piauienses, em Brasília-DF (1977) e IV Salão de Artes Plásticas, em Teresina-PI (1978)

Mestre Maurício

Maurício Jonas Mendes da Costa

Nascido em Teresina-Piauí, a 18 de outubro de 1972, Maurício, com seu talento jovem e timidez, começou a trabalhar por iniciativa própria aos 15 anos de idade.

Procura desenvolver e aprimorar sua técnica esculpindo na madeira os estilos santeiro e regional. Em cada peça produzida representa sua genialidade e talento. Além de imagens, esculpe máscaras com uma característica própria.

Mestre Paquinha

Marcos Fernando Rodrigues da Silva

Nascido em Teresina-Piauí, a 18 de janeiro de 1957, Paquinha começou a trabalhar na oficina do Mestre Cornélio. A partir da iniciação, passou a dedicar-se à arte da escultura em madeira. Participou de feiras de artesanato e salões de arte em Teresina, Brasília e São Paulo. Em 1983, recebeu o primeiro prêmio no IV Salão de Arte Santeira, promovida pela Universidade Federal do Piauí.

Paquinha tem se revelado um artista de fortes marcas pessoais em trabalhos de apurado nível técnico. Inventou um tipo de “múltiplo escultural”, onde as figuras se encaixam ou se dissociam perfeitamente, formando um conjunto de grande beleza e versatilidade. Esses oratórios povoados de santos revelam mensagens e traduzem o talento habilidoso e criativo do artista.

Mestre Reis

José Carlos Alves Reis

Nascido em Parnaíba-Piauí, a 25 de fevereiro de 1952, Reis iniciou no ofício de artesão em 1972. Sua habilidade e criatividade superam a falta de uma formação artística mais acadêmica.

Participou de diversas feiras e salões destacando-se o II Salão de Artes Plásticas, em Teresina-PI (1976); Encontro com a Cultura, em Parnaíba-PI (1979); II Salão de Arte Santeira (1981). Individualmente, expôs na Escola Lélio Avelino, em Teresina-PI (1975); em Brasília-DF (1980); em Vitório-ES (1983) e ainda participou do Encontro de Mestres Artesãos em Madeira no Ministério do Trabalho em Brasília-DF (1987) e dos VII e XX Encontro Latino-Americano de Folclore e Artesanato, ambos em Caruaru-PE, além de várias feiras e exposições em diversos estados brasileiros.

Mestre Toinho

Francisco de Souza Ribeiro

Nascido em Parnaíba-Piauí, a 13 de outubro de 1968, Mestre Toinho começou a trabalhar, aos 13 anos, observando a técnica e a dedicação de seu pai, fatores que ele procura aprimorar a cada nova peça.

Expôs suas obras no Park Shopping, em Brasília, e na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Segundo colocado na Exposição de Arte Santeira, em Teresina, e primeiro colocado na Exposição de Arte Santeira, em Parnaíba. Explora com perfeita habilidade os temas regionais e santeiros em suas obras, com acabamento estritamente natural a base de lixas.


Fonte: OAB - Conselho Federal

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