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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Realidade dos Povos da Floresta em debate na Conferência

"Se fala de povos tradicionais sempre remetendo esse assunto ao passado"

Belém (PA) A educadora e doutoranda em Antropologia no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA e pertencente à etnia Kaingang - Rosani Fernandes, coordenou o Fórum “Povo da Floresta - Quilombolas, Ribeirinhos, Extrativistas, etc”. O evento aconteceu nesta manhã (28) e fez parte da programação da VI Conferência Internacional de Direitos Humanos da OAB, que está sendo realizada no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.

“No fórum, debatemos diversos temas relevantes para o assunto em questão, dentre eles, o acesso jurídico precário e de difícil acesso para esses povos. Além deste ponto, debatemos acerca do acesso às políticas públicas e a não consideração da diversidade cultural sofrida pelos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas.”, explicou Rosani Fernandes.

Segundo ela, diversidade cultural no Brasil é tratada como sinônimo de inferioridade por mais de cinco séculos. “Diversidade cultural, diversidade étnica e diversidade linguística são valores – patrimônios da humanidade, vivos e presentes. Se fala de povos tradicionais sempre remetendo esse assunto ao passado, como um assunto que não precisa de atenção, como se nós não existíssemos, e isso é um erro para a história da humanidade.”, frisou a doutoranda.

Presidente da Coordenação de Igualdade Racial do CFOAB, Patrícia Lacerda Trindade de Lima afirmou que dois aspectos são fundamentais mudar essa realidade: o fortalecimento das representações e o diálogo da participação social. “Ninguém melhor que os próprios representantes desses grupos para apresentar demandas. Qualquer grupo discriminado precisa conquistar o seu espaço para que possa falar de sua realidade e isso vire pauta”, assinalou.

“Nenhuma política pública vai ser eficiente se não alcançar todos que ele deve alcançar”, salientou Patrícia, que acredita existir um olhar especifico para que essas peculiaridades sejam pautadas nas políticas públicas. “Não dá para se discutir essas temáticas dizendo que essas pessoas existem e suas necessidades precisam ser contempladas”.

A advogada alertou que é necessário dar um grande salto e trabalhar educação de base de quem está na gestão, que não conhece essa realidade e dificilmente conseguirá fazer algo. “O desconhecimento leva a ignorância. É preciso mudar a forma como tratamos a diferença, carregada de preconceito e com o discurso sempre de superioridade em relação ao outro”, defendeu.

Por fim, Patrícia Lacerda ressaltou que o papel do Estado possui influência. “A estrutura do Estado não vive por si, mas está a serviço da sociedade e tem que ser um instrumento principalmente dos grupos historicamente discriminados”. José Carlos Galiza, coordenador MALUNGU, da Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará, e José Ivanildo Gama Brilhante, diretor do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, também participaram do fórum.

Escrawen Sompre, da etnia Xerente, engenheiro Florestal, assessor da Associação Indígena Gavião Parkatêjê da Terra Indígena Mãe Maria e membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), e William César Lopes Domingues, da etnia Xakriabá, que vive entre os índios Asuriní do Xingu desde o final da década de 1990, docente do curso de Licenciatura e Bacharelado em Etnodesenvolvimento do Campus de Altamira da UFPA e presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (CONDISI) de Altamira e Coordenador Adjunto do Fórum de Presidentes de CONDISI foram outros convidados do fórum.

Fonte: OAB - Conselho Federal

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